terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Preciso comprar feijão

Mas tá tão frio (5 graus, vento e chuva) que eu vou ficando em casa. Ainda não me recuperei daquela maldita gripe.

E que tipo de mãe eu vou ser, se um friozinho qualquer me impede de sair de casa, caminhar até o ponto de ônibus, esperar até que apareça um bus número 4, 4A, 13 e 13A em direção ao Centro, descer em College Green e ir até a lojinha brasileira no Temple Bar?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

As nossas últimas férias de casal sem filho

Durou uma semana, mas pareceu muito mais. Visitamos Berlim, de domingo a quarta, e Amsterdã, de quarta a domingo. Por vários motivos, gostei infinitamente mais da primeira parte da viagem.

Berlim superou minhas expectativas porque, além de ser a metrópole moderna e cosmopolita que esperávamos ver, é a capital européia com o melhor custo-benefício em que já estivemos - em todas as outras os preços são ridiculamente altos: Dublin, Paris, Roma, Londres, Edimburgo e Belfast, nessa ordem de caristia.


Jantar no Telecafé (foto acima), com a melhor vista da cidade, por exemplo, custou 50 euros (salada Ceasar de entrada, dois pratos principais e duas taças de vinho).

Visitar a Torre da TV (Fernsehturm), construída na década de 1960 na Berlim Oriental, era uma das dicas da matéria 36 horas em Berlim, do NYT, mas não contávamos com a janta porque não tínhamos reserva (feita online, preferencialmente com seis semanas de antecedência no www.tv-turm.de). Nossa sorte foi chegar lá depois das 8 do dia 18 de novembro e conversar com a moça da reserva.

Foi uma despedida mais que perfeita da cidade. Todas as mesas ficam na janelinha do restaurante, que é redondo e gira o tempo todo pra que tenhamos uma vista de 360 graus de Berlim.

Outra coisa boa: com guias de viagem aconselhando a evitar os meses de novembro a fevereiro por causa do frio e da chuva, chegar a Berlim naquela manhã ensolarada de 15 de novembro, com temperatura de 14 graus, foi uma surpresa pra lá de agradável.

Como os turistas não lotam a cidade em novembro, não pegamos fila em nenhum lugar. Nem no Reichstag (foto abaixo), onde a espera pode ser de até 40 minutos em dias de muvuca.

O transporte público é tão bom ou melhor que o de Londres. Nunca chegamos tão cedo ao centro da cidade a partir de um aeroporto, e desembarcando de um trem confortável cuja passagem custara apenas 2,80 euros.

Em pouco mais de meia hora, já estávamos lá, no lado oriental, tomando o café da manhã nessa padaria kitsch (foto abaixo) antes de conferir um mercado de pulga próximo.

Pra chegar a Londres e Paris, por exemplo, a opção mais barata é ônibus, com passagem acima de 10 euros e trajeto demorado, de cerca de 2 horas. Isso porque quase sempre viajamos com a Ryanair, empresa aérea irlandesa de baixo custo e que voa geralmente pra aeroportos secundários e distantes.

O hotel também foi outra boa surpresa. Ninguém nunca nos recomendou um lugar legal pra ficar nesta ou naquela cidade. Nossa pesquisa é online, com base nas opiniões dos hóspedes postadas no site HostelWorld.com e nas dicas dos autores do guia de viagem Lonely Planet.

Nosso quarto no City 54 tinha o essencial que um hotel tem que oferecer com qualidade (cama, roupa de cama, banheiro e limpeza), mais TV, secador de cabelo e minicozinha, com fogão, geladeira e pia.

Café da manhã gostoso (muito além da torrada, cereal e chá) e incluído na diária. Pagamos 130 euros pelas 3 noites. Muitos hostels não têm banheiro no quarto e costumam cobrar separado por café da manhã, toalha de banho ou secador. Estação de metrô na porta do hotel. É claro que eu recomendo.

Mais fotos de Berlim aqui

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Outras paisagens

Uma das muitas coisas boas de uma viagem é a mudança de paisagem. Ah, como faz bem olhar o novo, o diferente, o inesperado.

Logo na saída da estação central de Amsterdam, olhando à direita pra atravessar a rua, as diferenças começam a impressionar: três níveis de estacionamento abarrotados...

... de bicicletas. Era essa a ideia que você tinha de urbano?

São cerca de 600 mil bicicletas para uma população de 743 mil pessoas. Tem que ficar atento para não ser atropelado por um ciclista.

E turista, sabe como é, caminha despreocupado pela ciclovia (eu, em Berlim), aluga bike porque acha bonitinho conhecer a cidade ao estilo local, não respeita ou não conhece as regras do trânsito, e aí vira incomodação para os moradores, que pedalam pra tudo.

Não sei como conseguem seguir pedalando por uma ruazinha tomada de turistas, como ocorre no Bairro da Luz Vermelha, por exemplo.

Sem falar que as bicicletas deles são tão melhores, mais bonitas e estilosas que as nossas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lar, doce lar

Chegamos em casa domingo à tarde, depois de uma longa semana de férias, dividida entre Berlim e Amsterdam. Viajar é ótimo, mas voltar também é muito bom.

Na verdade, eu estava em Amsterdam (minha primeira vez naquela cidade doida e incrível) e só pensava na minha casa.

Motivo: peguei uma gripe forte e virei noites sem dormir. De quinta a sábado, passamos as manhãs no hotel e fizemos alguns passeios a partir da tarde, com a noite já caindo (tá escurendo por volta das 4 horas aqui em cima). Nem temos muitas fotos da cidade.

sábado, 14 de novembro de 2009

Estamos saindo de férias

Embarcamos amanhã pra Berlim e, na quarta-feira, pra Amsterdam. Vamos aproveitar pra viajar enquanto ainda estou no segundo trimestre da gravidez. Até a volta!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

É uma menina!

Aqui em Dublin, não informar o sexo do bebê durante um exame de ultra-som parece ser a regra, pelo que ouvi ontem na Maternidade Rotunda, de amigas que tiveram filho no ano passado e em conversas no trabalho, onde a maioria disse preferir descobrir se é menino ou menina só no parto.

Deve deixar o nascimento ainda mais emocionante, sem dúvida, e cheguei a cogitar a ideia aqui em casa. Mas não teve jeito, Mateus não ia aguentar de ansiedade.

A Cláudia, mãe da Lynda, me aconselhou a deixar clara nossa opção já ao entrar na sala do ultra-som. No caso dela, foi surpresa total porque, mesmo sem saber, Cláudia estava certa de que seria um menino, o Dylan, aguardado com nome na porta do quarto e tudo. Nas duas ultra-sonografias que fez, ela esperou pra ser informada do sexo e nada. Ao final do exame, perguntou e a enfermeira disse que não dava pra ver.

A Roberta, mãe do Leonardo, passou pela mesma experiência no sistema de saúde público de Dublin. Ao final da gravidez, recorreu a uma clínica particular, polonesa, para descobrir o sexo do bebê.

Buenas, eu pedi e a enfermeira congelou a imagem da genitália na tela: era óbvio, mas ela disse "looks like a girl (parece uma menina)". E virou pro rapaz que acompanhava o exame: "a gente não informa o sexo porque nunca é 100%". Cem por cento mesmo, só na vida adulta, não é mesmo?

Brincadeiras à parte, a importância do ultra-som vai além da descoberta precoce do número de fetos e do sexo e o planejamento em tempo hábil para a chegada do bebê. O exame determina a idade gestacional (a minha foi rebaixada para 21 semanas) e detecta doenças que podem ser tratadas ainda no útero ou que exigem uma intervenção urgente logo após o parto.

Com a nossa menina, vai tudo bem.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tô vacinada

Começou hoje a campanha nacional de vacinação contra gripe suína (H1N1) aqui na Irlanda. Gestantes correm mais risco de ter complicações da doença e, estando eu grávida, fui tomar a vacina.

Tenho 38 anos, sou vacinada, já voluntariei em campanhas de vacinação no Brasil, pingando gotinhas contra a paralisia infantil na boca de crianças, fui imunizada contra a gripe no meu local de trabalho, e nunca vi nada parecido com a experiência que tive nesta tarde.

Passei por cinco profissionais da saúde até ser liberada pra ir pra casa. Primeiro recebi um formulário pra preencher com meus dados pessoais e um panfleto com informações sobre a gripe suína.

Outra pessoa digitou meus dados num computador e fui pra fila do médico, que me fez algumas perguntas (alergias, hemorragias, quantas semanas de gravidez etc) antes de me liberar pra vacinação.

Outra fila, outro consultório: recebi a injeção no braço esquerdo, a bula da vacina Celvapan, o número de um serviço telefônico 24 horas para pedir ajuda em caso de reações aos componentes, e fui orientada a aguardar 15 minutos na sala de espera antes de deixar o prédio.

Sentei na cadeira mais confortável que achei e comecei a ler a bula do Celvapan. Uma enfermeira veio até mim e me pediu pra sentar ao lado dos outros vacinados que estavam sendo observados, para facilitar o trabalho dela.

Senti uma tonturinha, mas menti que estava bem - porque queria sair daquele ambiente abafado - e fui liberada.

Todo esse zelo me deixou apreensiva. Será que era pra tanto? Celvapan, aprovado apenas um mês atrás, deve ser pancadão!

domingo, 25 de outubro de 2009

Olha a hora

Porque terminou hoje o horário de verão irlandês e porque em Brasília vigora o horário de verão, estamos apenas duas horas na frente aqui em Dublin.

O horário de verão irlandês começa no último domingo de março e termina no último domingo de outubro.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Paul McCartney vem aí

Quem quiser ir ao show do dia 20 de dezembro, na Arena O2, em Dublin, tem que correr pra bilheteria da Ticket Master mais próxima (ou pra tela de um computador) na quarta-feira que vem. Os ingressos começam a ser vendidos às 9 da manhã, entre 86,25 e 156,25 euros.

A curta turnê européia de McCartney, com oito shows, começa em Hamburgo e termina em Londres. Segundo o Irish Times, a turnê americana teve mais músicas dos Beatles do que seu trabalho solo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Outono

Centro de Dublin, Liffey River, que divide a cidade em sul e norte. Nós moramos no Northside.

Gírias para dinheiro

Existem várias, mas vou citar só as três que tenho visto com mais frequência por aqui: fiver, tenner e score, que significam 5, 10 e 20, respectivamente.

Em comercial de TV, há refeições por menos de fiver. No Irish Times, há aspas como esta:

There's nothing to do. We're out on the street at 9am, so I just got a score bag of heroin, a couple of trays of Valium and we're sitting out in the sun...

sábado, 3 de outubro de 2009

Floripa, com trilha de Zeca Pagodinho, na BBC

Almoço de sábado, TV ligada na BBC. Termina matéria sobre Ruanda e o apresentador do programa Click diz "nosso repórter foi até o Brasil ver como o país está investindo em tecnologia". E - surprise! - Florianópolis é a cidade que emplaca.

Bom ver as imagens de praia e sol. Saudade do calor! A trilha sonora é de Zeca Pagodinho: "Descobri que te amo demais...".

O repórter abre a matéria dizendo que Florianópolis se tornou um dos destinos mais populares da América do Sul, "um ímã para turistas em busca de sol e calor".

O link para a matéria está aqui.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

To Arthur



Comercial acima tava todo dia na TV por aqui. Começa com dois caras fazendo um brinde a Arthur Guinness, pelos 250 anos da famosa cervejaria aberta por ele em Dublin, no dia 24 de setembro de 1759.

O brinde é contagiante e vai ganhando as ruas mundo à fora. Ao estilo telefone sem fio, o nome de Arthur (Arrrta, no sotaque dublinense) vai mudando, primeiro pra Marta...

É muito bom, e foi filmado em Dublin, no Chile e em São Paulo.

Na quinta passada, os dublinenses lotaram os pubs para celebrar o aniversário da cerveja. Às 17:59, beberam Guinness de graça em alguns bares.

Apesar de eu não estar bebendo cerveja - só uma taça de vinho vez ou outra -, fomos conferir o evento. Eu me senti dentro da propaganda. A toda hora, um sujeito empolgado levantava um brinde a Arthur.

Na foto abaixo, geladeira de casa: caixa promocional da Guinness vendida a 17,59.

sábado, 25 de julho de 2009

Because my love is here

terça-feira, 21 de julho de 2009

Em Paris

Faz um calor do cão. Pra quem deixou o frio e a chuva de Dublin hoje de manhã, 28 graus é quase insuportável.

Caminhamos pela região do Louvre & Les Halles com nossa bagagem até o restaurante Au Pied de Cochon (dica do Lonely Planet). Um dos restaurantes mais conhecidos da cidade - segundo a corretora que alugou apartamento pra gente -, comida boa e preço razoável.

Pedimos um combinado com preço fixo de 16,50 euros (entrada + prato principal ou prato principal + sobremesa). Ficamos com a primeira opção. Entrada do dia (melão com rúcula!) + filé de dourado.

Depois do almoço, mais uma caminhada de 15 minutos até o apartamento que será nosso até domingo. Très chic.

Tão chique que meus três companheiros de viagem - Mateus, meu sogro e Helaine - decidiram ficar por aqui mesmo. Estão todos tirando um cochilo.







segunda-feira, 13 de julho de 2009

Na sala de aula

Minha colega argentina virou pra trás e perguntou discretamente pro francês:
What does ménage à trois mean?

Eu dei risada. Ele deu a definição em inglês: threesome.
E a professora teve que explicar: three people having sex.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Eu gostaria de ser

A pedido do Maurício, listo as cinco coisas que não sou e gostaria de ser:

1. Irmã da minha irmã - Eu tenho três irmãos (o mais velho nasceu em 1969 e os temporões, em 1981 e 1983) e sempre gostei de ser a queridinha do papai. Mas na verdade eu queria dividir a casa também com uma irmã, que eu poderia ter tido. Luci, a primogênita, teve uma vida bem curtinha e foi pro céu ainda bebê.

2. Bilíngue desde criancinha - Quando vim estudar inglês em Dublin, eu sabia que seria muito difícil alcançar a fluência em um ano, principalmente no nível que eu estava, macarrônico (aqui classificado de pre-intermediate). Dezesseis meses depois, leio e entendo o que é dito com facilidade, mas encontrar as palavras, arrumar gramaticalmente e pronunciar direitinho numa conversa... ah, isso vai demandar mais uns anos. É como disse o Dauro, "a palavra 'fluente' no currículo é uma das maiores mentiras".

3. Cozinheira de mão cheia
- Devia ter aproveitado o talento culinário da tia Helena e da tia Vera quando eu convivia mais de perto com elas. Humm, que saudade daquelas comidinhas. Mãe, também sinto falta do teu almoço de domingo! Não aguento mais comer aquela massa que eu e o Mateus aprendemos, num livrinho de receitas da Ana Maria Braga, e aperfeiçoamos, tamanha a repetição.

4. Nômade - Trabalhei 12 anos no mesmo lugar (mais enraizada, impossível) e de repente me pego sonhando com uma vida mais ou menos nômade. Deixar a Irlanda, morar noutro país, aprender outra lingua. E mudar de novo. Eu até tenho algumas escolhas. Se o alemão não fosse assim tão difícil, meu próximo destino seria Berlim.

5. Sortuda - Como uma irlandesa de Cork, sul da Irlanda, que ganhou na loteria duas vezes. Na semana passada, o prêmio foi de meio milhão de euros. Ela já tinha levado 250 mil euros no começo da década. Lucky bastard!

Agora, pra brincadeira continuar, eu indico cinco amigos blogueiros: Rafa, Juliana, Hermes, Wagner e Tatiana

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Albatross

You may say Friday nights should be all about going crazy, and who am I to argue? I've been spending my Fridays (and Saturdays) on the sofa, educating myself about music, and thanks to BBC4.

The box is getting smaller to record such a good programmes as Guitar Heroes, Leonard Cohen, Sounds of the Sixties, Keep on Running: 50 Years of Island Records (documentary telling the story of the Jamaican-founded record label built by Chris Blackwell), Californian Dreamin: The Mammas and The Papas (documentary charting the formation, instant rise and success of 1960s Californian group pop), Peter Green: Man of the World (about the guitarrist who founded Fleetwood Mac) and so on.

This song is beautiful.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Don't Stop 'Til You Get Enough



BBC World News, BBC News 24, Sky News não falam noutra coisa a não ser na morte de Michael Jackson.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mais uma vítima da recessão

A The Bag Shop, rede de lojas de bolsas, malas e mochilas que emprega vários brasileiros em Dublin, está fechando as portas.

Matéria neste link.